Já é de conhecimento geral que o consumo de carnes pode tornar-se um luxo esbanjado por apenas uma parcela da sociedade, tendo em vista que muitos fatores estão provocando o aumento nos custos da pecuária, como o aumento da renda de países emergentes e a substituição das áreas desta produção por novos espaços da agricultura de grãos. No entanto, recentemente, um novo fator surgiu, que pode acelerar o “processo de transformação da carne em ouro”: o avanço das doenças, como a peste suína, que afligem o setor.

Por enquanto, esta crise chegou apenas à suinocultura. A peste suína africana está avançando e já atingiu em cheio a China, país considerado maior produtor e consumidor de proteína suína do mundo. Enquanto, em 2013, apenas 3,5% da produção dessa cultura era afetada pela doença, este ano o percentual elevou-se para 62%, com 31 países afirmando terem focos da peste na sua região, segundo a Organização Mundial de Saúde Animal – OIE.

Participação dos principais países exportadores de carne bovina, gráfico de pizza dividido em sessões por participação de cada país, Brasil, Índia, Austrália, EUA, Nova Zelândia, Canadá, Paraguai, Uruguai, União Européia, México, peste suína
(Foto: Divulgação.)

Devido a isso, os países atingidos estão buscando aqueles livres de risco para realizar a compra do insumo, sendo o Brasil um destes. Apesar de não haver muita produção nacional da carne suína, o país é reconhecido por seu fornecimento de carnes bovinas e de frango, as quais estão sendo buscadas para substituir a necessidade da proteína originada do porco. Assim, um dos principais importadores deste tipo de insumo é a China, a qual apresenta uma estimativa de adquirir mais de 21% do volume total a ser transacionado mundialmente.

O que é um benefício para os produtores, tendo em vista que os preços irão atingir um novo patamar; será negativo para os consumidores brasileiros, os quais podem já se preparar para encontrar um aumento efetivo no valor cobrado pelas carnes em supermercados, por exemplo. Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas – FIPE, os preços comerciais subiram 17% na terceira semana de novembro e acredita-se que a pressão nesses valores deve permanecer nesta média ao longo do próximo ano. Vale ressaltar que as produções pecuárias do Brasil estão previstas para aumentarem percentualmente, porém, não o suficiente para superar o aumento esperado em exportações desse gênero alimentício.