A demanda de ovos no período da Quaresma (período de 40 dias que antecede a Páscoa cristã) cresce significativamente devido a indicação de não ingestão de carne vermelha durante a estação. Tanto ovos quanto peixes são os mais consumidos pela população, principalmente pela parcela cristã que segue os preceitos e as tradições das religiões do Cristianismo.

Esse ano, a grande demanda por ovos veio acompanhada pela nova pandemia do coronavírus (COVID-19) e o medo da escassez de produtos devido aos impactos do vírus no Brasil. Na avaliação do setor, houve uma busca maior nos supermercados, que também ampliaram seus pedidos pela proteína. Apesar da maior procura, não haverá desabastecimento, garante a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

De acordo com a entidade, o setor de ovos se mantém empenhado na manutenção do fluxo de oferta de alimentos para a população brasileira, em meio à crise do COVID-19.

“Nossas empresas associadas estão focadas na saúde de seus colaboradores e no abastecimento de alimentos para a população”

diz, em nota, segundo o site Avicultura Industrial

Ainda de acordo com a ABPA, o aumento substancial na procura por ovos foi relatado pelas empresas do setor. No entanto, segundo a associação, o país não corre riscos de enfrentar um desabastecimento da proteína.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, avalia que para garantir estoques e ter produto disponível para o consumidor final, redes de supermercados, tanto atacadistas quanto varejistas, têm aumentado os pedidos por novos lotes de ovos.

No entanto, a oferta do produto está baixa desde o início de 2020. Segundo colaboradores do Cepea, a diferença entre os volumes demandado e ofertado aumentou significativamente, impedindo que parte deles consiga fornecer toda a quantidade pedida.

Quanto aos preços, as dificuldades em atender à demanda têm sido diferentes dentre as regiões acompanhadas, fazendo com que as variações sejam distintas dentre as praças, o que não é comum para a avicultura de postura.

Em Fortaleza (CE), moradores reclamam dos preços das bandejas de ovos, que antes podiam ser achadas pelo preço mínimo de R$ 9,90, e agora são vistas com preços entre R$ 16,00 e R$ 22,00.

Pequenos empreendedores e autônomos da alimentação, reclamam da falta de ovos pelos fornecedores, que também encontram dificuldade em ter o produto para distribuição.

Um alimento versátil e barato

Depois do aumento do preço da carne com a peste suína na Ásia, os ovos ficaram ainda mais cobiçados pela sua versatilidade e baixo preço, se comparado à carne vermelha. Além de claro, render mais.

E é justamente essa versatilidade que faz dos ovos, um dos ingredientes mais procurados durante a quaresma e quarentena (isolamento social causado pelo COVID-19), aponta Luís Carlos Brandt, gerente Executivo de Produção da Coopeavi. A cooperativa fica em Santa Maria de Jetibá, na Região Serrana do Espírito Santo, atualmente a maior produtora de ovos do país.

“Esse ano, atrelado a essa demanda mais aquecida, em função da crise do Coronavírus, de fato o consumidor antecipou muito da sua compra. Grande arte dos consumidores acabou estocando, mas não só ovos. Mas o que houve foi uma escassez nos estoques (das granjas)”

ressalta Brandt

Uma das explicações, segundo ele, é a alta qualidade da proteína, que é rica em Vitamina D. Alguns especialistas apontam que existe relação entre essa vitamina na prevenção a doenças respiratórias.

“Agora ressaltado essa vitamina para prevenção do Coronavírus, acaba tendo maior procura.”

O porta-voz da Coopeavi afirma que o ovo é um produto muito versátil para o preparo de diversas refeições. Desse modo, acaba entrando na lista de prioridades nesse momento em que o consumidor temeu o desabastecimento “que não aconteceu”, aponta. No entanto, os consumidores precisam ficar atento quanto ao prazo de validade dos ovos. Isso porque o máximo que o ovo pode ser armazenado são 20 dias, em condições ideais.

Aumento dos custos com a Ração

Apesar da crescente demanda pelo ovo, de acordo com Luís Carlos Brandt, gerente Executivo de Produção da Coopeavi, as granjas não devem dobrar a produção. “É uma linha de produção como de um equipamento, existe um ciclo que existe seu prazo para acontecer. É preciso respeitar esse tempo. Os ovos que estavam planejados para serem produzidos nesse período toda granja tinha se programado desde o ano passado para isso”, comenta.

“Não existe muito como atender a demanda excedente. O que a gente pode fazer enquanto cooperativa é cumprir todos os compromissos que já tínhamos assumido antes com distribuidores, supermercados, clientes”, ressalta. Além disso, o setor avícola enfrenta outro problema, que é a escassez e o reajuste dos principais insumos da ração: milho e soja.

Segundo o gerente da Coopeavi, todos estão tentando viabilizar a parte nutricional para a produção de rações, mas os insumos sofreram “um reajuste muito forte”, devido também à elevação do dólar. O milho e a soja compõem 85% de todas as fórmulas de ração. “Essas matérias-primas subindo aumentou muito o custo do produtor”, conclui, acrescentando que isso ainda reflete no maior preço dos ovos nesse período.

Fonte: Avicultura Industrial.