Sabendo que o uso de papel é uma tendência forte no setor de bebidas, a Diageo, uma das maiores empresas de bebidas do mundo, anunciou em julho que a partir de 2021, as garrafas do whisky Johnnie Walker serão feitas de papel com “madeira de fonte sustentável”. A empresa diz que as garrafas serão totalmente recicláveis.

Essa estratégia tem o intuito de melhorar a pegada de carbono e seus impactos no meio ambiente. Porém, não é a primeira vez que a Diageo anunciou que irá adotar esse tipo de medidas.

Em 29 de junho, a empresa disse que iria construir uma destilaria de uísque neutra em carbono. Em 11 de junho, anunciou o uso de garrafas plásticas recicladas para o 7 Crown American Whiskey da Seagram.

A embalagem foi desenvolvida para conter uma variedade de líquidos, fazendo parte do compromisso da Diageo com as Nações Unidas, na qual se comprometeu com a meta 12 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de consumo e produção responsável.

O material foi criado com uma parceria da Diageo com a empresa de risco Pilot Lite. As duas se uniram para criar a Pulpex Limited, uma empresa de tecnologia e embalagens sustentáveis.

Outras empresas também estão aderindo a essa nova tendência como a cervejaria dinamarquesa, Carlsberg, que apresentou no ano passado um protótipo de uma garrafa de fibra de madeira de origem sustentável para suas cervejas pilsner. A Pernod Ricard, que detém a marca de vodca Absolut, a L‘Oreal e a Coca-Cola também estão trabalhando em esforços semelhantes.

Apesar dos esforços dessas empresas de diminuir os impactos ambientais, segundo Amy Moas, uma ativista florestal sênior da Greenpeace dos EUA, disse ao também ao Gizmodo via e-mail que “nada sobre a mudança de Johnnie Walker para embalagens de papel é sustentável”.

Compartilhando a mesma opinião de Claire Arkin, a coordenadora de comunicações da Aliança Global para Alternativas de Incineradores, que defende o desperdício zero.

Claire disse em um e-mail para o Gizmodo:

 “Embora apreciemos que Johnnie Walker esteja reconhecendo a gravidade do problema da poluição do plástico e a necessidade das empresas mudarem suas práticas comerciais para eliminar os resíduos plásticos, trocar um descartável por outro não é a solução[…] O uso de embalagens de papel traz os seus próprios problemas: desmatamento, toxicidade potencial e barreiras para uma reciclagem eficaz. Em vez de continuar confiando na descartabilidade e imputar os custos dessa decisão às cidades e aos consumidores, as empresas devem ser pioneiras em sistemas seguros e reutilizáveis que conservem a saúde humana e planetária.”