Neste ano, houve uma expansão no consumo de vinhos e espumantes no Brasil, passando de 2,13 litros por habitante, em 2019, para 2,37 litros, em 2020, uma alta de 11%, considerando os dados de janeiro a julho.

Esse fator ocorreu devido ao isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus. Isso pode ser observado mais claramente quando olhamos os dados da Ideal Consultuing do segundo trimestre de 2020, período em que o país estava de quarentena, no qual a média por pessoa chegou a ser 2,81, tendo um crescimento de 72% em relação a janeiro a março do mesmo ano.

Esse crescimento favoreceu principalmente o produto nacional, que viu uma expansão de 27,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. Enquanto os vinhos importados, que foram impactados com a alta do dólar, tiveram um avanço mais discreto.

Segundo Felipe Gualtaroça, presidente da Ideal Consulting, o consumo de vinho do Brasil ainda está concentrada em garrafas do segmento de “entrada” (vinhos/espumantes que custam até R$70,00), concentrando 80% das vendas totais.

Esses resultados são surpreendentes, uma vez que, os principais canais de distribuição de vinhos (os restaurantes), tiveram suas atividades bastante reduzidas, podendo funcionar apenas com o sistema de delivery.

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Foto: divulgação

Felipe Gualtaroça explica que o crescimento de venda se deu em dois canais: o e-commerce e o de varejo tradicional

“Um dos fatores que colaboraram para o aumento do consumo foi a maior visibilidade que os supermercados deram ao vinho. Isso faz o consumidor pensar: talvez eu possa experimentar.”

Através do e-commerce, os clubes de vinhos ganharam força. O maior deles, o Clube Wine, fechou o mês de junho com 170 mil associados, o que significa um aumento de 20% em 12 meses.

Segundo o presidente da Wine, Marcelo D’Arienzo, a empresa espera, apesar das incertezas da economia, manter o ritmo de crescimento ao longo do ano. O clube espera obter um faturamento de R$430 milhões em 2020.

D’Arienzo afirma que não foi capaz de prever esse crescimento em 2020.

“No dia 15 de março, quando a gente tomou a decisão de adotar o home office, estávamos apreensivos. Havia uma corrida aos supermercados para itens de primeira necessidade. E a gente pensou: como é que vai ficar o vinho?”

Porém, à medida que os consumidores foram se adaptando a nova rotina, a bebida foi logo colocada na lista de prioridades dos consumidores brasileiro, isso ficou nítido nos resultados observados pela Ideal Consultuing.