Você já escutou falar em coworking, aqueles escritórios compartilhados?

Agora esta tendência de mercado, que antes era apenas para escritórios, está sendo utilizada para a área de gastronomia.

Conhecida como “cloud kitchens” os empresários do ramo da alimentação que fornecem comida para mercados, restaurantes e entrega a domicílio deixam de investir em espaço próprio e passam a ser inquilinos dessas cozinhas compartilhadas.

A companhia de capital aberto, Steam Cloud Kitchen, anunciou que vai investir, em São Paulo, em um período de cinco anos, R$ 30 milhões na construção de 30 hubs culinários, com uma estrutura que irá comportar de oito a doze cozinhas para locação.

Fernando Dias um dos sócios- diretores da empresa, explica como será o “cloud kitchens” construído em São Paulo.

Cada hub será composto por múltiplas cozinhas em edifícios feitos exclusivamente para elas, de acordo com as normas e padrões do setor. O modelo é voltado para atender ao crescente mercado dos diversos aplicativos de delivery (Ifood, Uber Eats, Rappi etc), proporcionando redução de custo logístico, qualidade nos produtos e rapidez na liberação dos pedidos

Está prevista para setembro deste ano a inauguração da primeira delas, no qual já possui 80% do espaço já contratados.

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Além das cozinhas, os espaços são preparados para atender delivery (Imagem: Divulgação)

O Studiolno, no mercado há cinco anos de cloud kitchens, começou o seu negócio comum imóvel de três cozinhas na zona oeste de São Paulo, em Perdizes, com o intuito de dar suporte para os food trucks e startups que atuam na região. Em 2019, a empresa investiu, na mesma região, em outro edifício com dez cozinhas e estrutura para delivery, dando o nome Hub CK. Hoje o negócio já tem 100% do espaço alugado.

A diretora da empresa, Diris Petribú, conta que os “clientes são, na maioria, restaurantes já consolidados. Nem todos têm o delivery próprio. Alguns deles estão sediados em outros pontos da cidade. Como não atendiam à região oeste, decidiram alugar o espaço para ampliar o raio de atuação

Além dos hubs que administra, o StudioIno é responsável pelos novos projetos de cloud kitchen da Steam e outros investidores.

O restaurante Da Mata Saladas, que já tinha um espaço próprio no Brooklyn, tornou-se cliente da Hub CK há sete meses para ampliar sua operação, ampliando os seus pedidos de 250 para 380 por dia. O custo médio do aluguel é de R$ 7 mil por mês, mas o proprietário compreende o motivo do aluguel do espaço ser tão caro.

É óbvio que o aluguel, num primeiro momento, assusta porque é um valor alto, mas quando você põe na conta que não precisa investir em equipamentos e não tem gasto com manutenção, acho que faz bastante sentido

O dono do Da Mata, Caio Ciampolin, pretende abrir mais cinco pontos comerciais nos próximos anos, todos nesse modelo. “É um jeito de expandir mais rápido, com investimento inicial quase zero. Evita muita dor de cabeça”.

Segundo a Abrasel (Associação de Bares e Restaurantes) o mercado de delivery movimenta R$ 11 bilhões por ano no Brasil. E que, segundo o presidente da associação, Percival Maricato, é nesse ramo que as coud kitchens se encontram. Ele demonstra uma preocupação com a concorrência dos empreendimentos que possuem locais próprios, devido às condições tributárias impostas pelo governo.

“É um setor que está sendo estudado do ponto de vista jurídico, econômico e sanitário. Temos um problema que é a concorrência, para que seja feita em condições de igualdade: para que as cloud kitchens tenham as mesmas condições tributárias do que outras cozinhas”.

O modelo de negócio, que é inspirado no mercado da Índia, cresce globalmente a uma taxa de 20% ao ano e deve movimentar US$ 365 bilhões por ano até 2030, de acordo com um estudo do banco de investimentos UBS. “No nosso caso, tive contato com a ideia em uma viagem para Las Vegas”, revela o sócio-diretor da Steam, atualmente responsável pelo principal investimento do negócio no Brasil.