A Prefeitura de São Paulo autorizou a reabertura de bares e restaurantes a partir do dia 6 de Julho com horário restrito (de 11 horas às 17horas), porém mesmo com essa autorização muitos estabelecimentos preferiram continuar fechados.

Além da restrição de horários, a prefeitura não permitiu que os estabelecimentos colocassem mesas e cadeiras nas calçadas, o que está afetando mais ainda os negócios.

Uma pesquisa foi realizada na segunda e terça feira na capital com 140 estabelecimentos, no qual 80% dos bares e 59% dos restaurantes optaram por não reabrir as portas e pretendem continuar assim, de acordo com a Associação de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP).

O presidente da Abrasel – SP, Percival Maricato, aponta vários fatores, além dos já citados anteriormente, para explicar à baixa adesão à reabertura dos estabelecimentos do setor da alimentação fora do lar.

“Há muita insegurança da parte dos empresários: a Prefeitura vai voltar atrás, o cliente vai aparecer? Do jeito que foi feito ficou inviabilizado o negócio para os estabelecimentos que servem café da manhã, pizzarias e bares, estes dois últimos com maior concentração do movimento no período noturno. O que queremos é que abertura pelo período de seis horas seja flexibilizada, de acordo com o perfil do estabelecimento, com os bares à noite, por exemplo”

A Pizzaria Villa Roma Bistrô foi um dos estabelecimentos que decidiu não reabrir no momento, pois a maioria de sua clientela são pessoas que trabalham nas imediações do restaurante, como eles estão em home office, a freguesia diminuiu consideravelmente. O proprietário, Gabriel Pinheiro, decidiu, mesmo com prejuízo, pois esse nicho representa apenas 20% do seu faturamento, continuar trabalhando apenas com delivery.

O sócio do Grupo Veras, que possui 6 bares espalhados pela capital, Facundo Guerra, acredita que os bares são vetores de transmissão do novo coronavírus e que só irá retomar as atividades de seus negócios quando ele se sentir seguro ao ponto de poder levar sua mãe, de 70 anos, para jantar.

Guerra conta que teve que desligar mais de 200 funcionários, desmobilizando, assim, a equipe dos seus estabelecimentos. Para poder retomar as atividades teria que fazer um alto investimento em treinamentos e adaptações para o momento em que estamos vivenciando, além que o horário permitido para o funcionamento não é adequado nem para bares e nem para restaurantes, visto que 70% do movimento ocorre durante à noite.

 Muitos bares que vão tentar retomar agora vão acabar quebrando porque não há garantias de que esse investimento necessário à reabertura tenha retorno, o público não está respondendo.

Carlos Henrique de Freitas, sócio do restaurante, que está há 106 anos no mercado, temem está adiando a reabertura.

“É muita exigência para pouco cliente. O povo está com medo, está sem dinheiro e não sei se vale a pena voltar. Estamos devendo empréstimos e no limite do cheque especial, infelizmente o nosso restaurante está mais para o não vai do que vai.”

Até os restaurantes renomados de Alex Atala, Dalva Dito e D.O.M, informaram que não tem data prevista para a reabertura após a flexibilização da prefeitura da cidade.

Segundo a Abrasel de São Paulo, os estabelecimentos de alimentação fora do lar que decidiram abrir desde segunda feira tiveram um movimento muito fraco. De acordo com as contas de Maricato, desde o início da pandemia, 50 mil estabelecimentos deixaram de funcionar definitivamente no Estado, levando cerca de 300 mil desempregos.